Hoje, de algum lugar longe dessas terras
Há um doce olhar só pra você
Um olhar especial
De alguém especial, de distantes origens
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida
Que sorri porque ama plenamente
Sem julgamentos, preconceitos nem prisões
Hoje, como ontem, longe desses céus
Há um encantador olhar só pra você
Nesse olhar vai para você a magia da luz
A simplicidade do perdão
A força para comungar com a vida
A esperança de dias mais radiantes de paz
Hoje, de algum lugar dentro de você,
Alguém que já o amou muito e ainda o ama
Diz para você que valeu a pena ter estado nessas terras...
Sob estes céus...
Falando de união, paz, amor e perdão
Poder sentir a força que faz você sorrir
E continuar o caminho
Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você
Tudo isso, só para você saber que
A VIDA CONTINUA...
E A MORTE É APENAS UMA VIAGEM!
Meu estilo (nada muito sério e nada muito engraçado). Always "under construction"!!!!!!!!! " PODEMOS ESCOLHER O QUE PLANTAR , MAS SOMOS OBRIGADOS A COLHER O QUE PLANTAMOS " Provérbio chinês
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A Arte de Calar
Autor desconhecido
Calar sobre sua própria pessoa, é humildade.
Calar sobre os defeitos dos outros, é caridade.
Calar, quando a gente está sofrendo, é heroísmo.
Calar diante do sofrimento alheio, é covardia.
Calar diante da injustiça, é fraqueza.
Calar, quando o outro está falando, é delicadeza.
Calar, quando o outro espera uma palavra, é omissão.
Calar, e não falar palavras inúteis, é penitência.
Calar, quando não há necessidade de falar, é prudência.
Calar, quando Deus nos fala no coração, é silêncio.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Esperança
Esperança
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
ORAÇÃO DE ANO NOVO
Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,
teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.
Ao acabar mais um ano, quero te dizer obrigado
por tudo aquilo que recebi de Ti.
Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar
e pelo sol, pela alegria e pela dor,
pelo que é possível e pelo que não foi.
Ofereço-te tudo o que fiz neste ano, o trabalho
que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos
e o que com elas pude construir.
Apresento-te as pessoas que ao longo destes meses amei,
as amizades novas e os antigos amores,
os que estão perto de mim e os que estão mais longe,
os que me deram sua mão e aqueles que pude ajudar,
os com quem compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria.
Mas também, Senhor, hoje quero Te pedir perdão.
Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto,
pela palavra inútil e o amor desperdiçado.
Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito,
perdão por viver sem entusiasmo.
Também pela oração que aos poucos fui adiando
e que agora venho apresentar-te, por todos meus olvidos,
descuidos e silêncios, novamente te peço perdão.
Nos próximos dias começaremos um novo ano. Paro
a minha vida diante do novo calendário que ainda não se iniciou
e Te apresento estes dias,
que somente Tu sabes se chegarei a vivê-los.
Hoje, Te peço para mim, meus parentes e amigos, a paz e a alegria,
a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.
Quero viver cada dia com otimismo e bondade,
levando a toda parte um coração cheio de compreensão e paz.
Fecha meus ouvidos a toda falsidade e meus lábios a palavras
mentirosas, egoístas ou que magoem.
Abre, sim, meu ser a tudo o que é bom.
Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos
para que as derrame por onde eu passar.
Senhor, a meus amigos que lêem esta mensagem,
enche-os de sabedoria, paz e amor. E que nossa amizade dure
para sempre em nossos corações.
Enche-me, também, de bondade e alegria, para que
todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho
possam descobrir em mim um pouquinho de Ti.
Dá-nos um ano feliz, e ensina-nos a repartir felicidade.
Amém
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
AUTO ESTIMA E DEVOTEÍSMO
Auto-estima segundo a wikipedia tem o seguinte conceito:
"Em psicologia, autoestima inclui a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003)."
A partir dessa premissa quero falar um pouco de como a auto-estima do deficiente poder a vir a ter alterações em contato com o devoteísmo.
Por mais que escrevamos e digamos que ser deficiente nos dias de hoje seja diferente de há alguns anos, não podemos fingir que somos vistos como pessoas convencionais. Através do olhar do outro muitas vezes a nossa auto-estima se deteriora, pois fazemos dos olhares alheios o nosso próprio espelho.
Uma situação muito comum para os/as deficientes, é serem vistos como bons amigos, como bons companheiros ou confidentes. Enfim em um meio social que cultua o convencional passam a ser assexuados. Quando saem dessa linha, quando ousam, os comentarios feitos são em sua maioria em tom de deboche e preconceito.
Onde entra o devoteísmo em meu raciocínio? Não sou mais uma neófita nesse universo e nem os olhares alheios me atingem. Mas não posso desconsiderar o efeito que o devoteísmo possa ter em qualquer deficiente, homem ou mulher, em sua auto-estima em um primeiro contato.
Principalmente se o meio em que vive for inóspito.
No devoteísmo tudo que era negativo passa a somar, passa a encantar, revira-se as entranhas do convencionalismo para ser uma obra de arte surreal apreciada e desejada como tal. A auto-estima do deficiente passa por uma transformação. Há aqueles deficientes que negam esse encantamento, negam o fascínio dos desejos tortos, negam serem vistos como objetos, segundo eles. Mas ainda assim, têm consciência que são desejados.
E existem aqueles que se deixam levar pelo devoteísmo como se fosse uma droga para todos os dissabores que possam ter tido em suas vidas enquanto deficientes.
Mas nesse caminho muitas magoas podem se acumular. Não é segredo para ninguém que dentro do devoteísmo temos as mais variadas personalidades e formas de exercer essa atração. Então a mesma auto-estima que um dia teve seu up, começa a pregar peças na necessidade de não se manter mais em alta se não tiver contatos efetivos com devotees.
No vai e vem dos devotees, surgem as dúvidas: “O que tem de errado comigo? Se sou deficiente, por que eles não me querem além de uma noite, duas, ou por que não sou a única?”
A auto-estima consequentemente cai consideravelmente nesses casos a ponto de se sujeitarem a receber migalhas na ânsia de fugazes momentos em que se sintam bem novamente.
Mas o problema não está no/na deficiente e sim nesses relacionamentos que vão perpetuando o mito que ser devotee é ser colecionador, que ser devotee é ser compulsivo, que ser devotee é ter quantas mulheres quiser e sempre com a conivência das mesmas.
Se existe a compulsão, se existem as coleções, se a idéia de que o devoteísmo não comporta outro tipo de relacionamento se não o aberto, é porque os/as deficientes compactuam com isso.
A auto-estima retrata com exatidão como se processam as relações devotee/deficiente. Pois se nos acostumamos ao que é ruim esquecemos que podemos ter relacionamentos muito melhores até mesmo dentro do devoteísmo.
O equilíbrio se faz necessário em nosso Universo. É preciso sim, ter uma auto-estima elevada para que não nos deixemos atropelar por preconceitos que trazemos através dos anos, mas essa auto-estima que se modifica com o conhecimento do devoteísmo não pode e não deve pautar nossas vidas e nem nossas relações humanas. Digo humanas pois vejo que muitas vezes os/as deficientes se atropelam sem um resquício de dignidade. O importante é ter no devoteísmo um incentivo, uma forma de relacionamento, mas não fazer dele o centro de nossas vidas. Um/a deficiente que pauta sua auto-estima colecionando devotees ou almejando se relacionar com esse ou aquele mesmo sabendo do comprometimento existente entre algumas deficientes e alguns devotees não pode mais tarde fazer cobrança alguma, pois nem mesmo terá sua auto-estima em socorro.
É um caminho degradante, infelizmente.
Auto-estima e ego se completam quando um e outro dentro do devoteísmo conseguem se suprir sem violentar a dignidade.
Regina do blog http://desejostortos.blogspot.com/
"Em psicologia, autoestima inclui a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003)."
A partir dessa premissa quero falar um pouco de como a auto-estima do deficiente poder a vir a ter alterações em contato com o devoteísmo.
Por mais que escrevamos e digamos que ser deficiente nos dias de hoje seja diferente de há alguns anos, não podemos fingir que somos vistos como pessoas convencionais. Através do olhar do outro muitas vezes a nossa auto-estima se deteriora, pois fazemos dos olhares alheios o nosso próprio espelho.
Uma situação muito comum para os/as deficientes, é serem vistos como bons amigos, como bons companheiros ou confidentes. Enfim em um meio social que cultua o convencional passam a ser assexuados. Quando saem dessa linha, quando ousam, os comentarios feitos são em sua maioria em tom de deboche e preconceito.
Onde entra o devoteísmo em meu raciocínio? Não sou mais uma neófita nesse universo e nem os olhares alheios me atingem. Mas não posso desconsiderar o efeito que o devoteísmo possa ter em qualquer deficiente, homem ou mulher, em sua auto-estima em um primeiro contato.
Principalmente se o meio em que vive for inóspito.
No devoteísmo tudo que era negativo passa a somar, passa a encantar, revira-se as entranhas do convencionalismo para ser uma obra de arte surreal apreciada e desejada como tal. A auto-estima do deficiente passa por uma transformação. Há aqueles deficientes que negam esse encantamento, negam o fascínio dos desejos tortos, negam serem vistos como objetos, segundo eles. Mas ainda assim, têm consciência que são desejados.
E existem aqueles que se deixam levar pelo devoteísmo como se fosse uma droga para todos os dissabores que possam ter tido em suas vidas enquanto deficientes.
Mas nesse caminho muitas magoas podem se acumular. Não é segredo para ninguém que dentro do devoteísmo temos as mais variadas personalidades e formas de exercer essa atração. Então a mesma auto-estima que um dia teve seu up, começa a pregar peças na necessidade de não se manter mais em alta se não tiver contatos efetivos com devotees.
No vai e vem dos devotees, surgem as dúvidas: “O que tem de errado comigo? Se sou deficiente, por que eles não me querem além de uma noite, duas, ou por que não sou a única?”
A auto-estima consequentemente cai consideravelmente nesses casos a ponto de se sujeitarem a receber migalhas na ânsia de fugazes momentos em que se sintam bem novamente.
Mas o problema não está no/na deficiente e sim nesses relacionamentos que vão perpetuando o mito que ser devotee é ser colecionador, que ser devotee é ser compulsivo, que ser devotee é ter quantas mulheres quiser e sempre com a conivência das mesmas.
Se existe a compulsão, se existem as coleções, se a idéia de que o devoteísmo não comporta outro tipo de relacionamento se não o aberto, é porque os/as deficientes compactuam com isso.
A auto-estima retrata com exatidão como se processam as relações devotee/deficiente. Pois se nos acostumamos ao que é ruim esquecemos que podemos ter relacionamentos muito melhores até mesmo dentro do devoteísmo.
O equilíbrio se faz necessário em nosso Universo. É preciso sim, ter uma auto-estima elevada para que não nos deixemos atropelar por preconceitos que trazemos através dos anos, mas essa auto-estima que se modifica com o conhecimento do devoteísmo não pode e não deve pautar nossas vidas e nem nossas relações humanas. Digo humanas pois vejo que muitas vezes os/as deficientes se atropelam sem um resquício de dignidade. O importante é ter no devoteísmo um incentivo, uma forma de relacionamento, mas não fazer dele o centro de nossas vidas. Um/a deficiente que pauta sua auto-estima colecionando devotees ou almejando se relacionar com esse ou aquele mesmo sabendo do comprometimento existente entre algumas deficientes e alguns devotees não pode mais tarde fazer cobrança alguma, pois nem mesmo terá sua auto-estima em socorro.
É um caminho degradante, infelizmente.
Auto-estima e ego se completam quando um e outro dentro do devoteísmo conseguem se suprir sem violentar a dignidade.
Regina do blog http://desejostortos.blogspot.com/
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
THE ONE
Meu fim de tarde e boa parte da noite foi diante da TV, zapeando entre Globo News e CNN. Não fazia isso desde o atentado de 11 de setembro. Só tirava os olhos da tela pra trocar torpedos com amigos igualmente estupefactos. Tentei escrever no calor da emoção, mas as palavras não saiam, as idéias não se concretizavam, o raciocínio não seguia uma reta. O frio na barriga era maior que tudo. Vem aí um texto sem pé nem cabeça. Quase como a vida de Michael Jackson.
Eu realmente não sei por onde começar nem que rumo dar a minha prosa. Mas a verdade é que eu não imaginava que a morte do ídolo pop fosse mexer tanto comigo. Aliás, eu não imaginava nem que ele fosse capaz de morrer. Sabe essas pessoas que a gente vê desde sempre e que quando “desaparecem” nos deixa uma sensação estranha? Sei lá, que uma página se virou também na nossa vida?
Quando pequeno era fascinado pelos clipes de “Thriler”, de “Bad”, sem saber que ali a música pop estava sendo revolucionada. Surgia o videoclipe, uma nova maneira de se vender música. A partir dali os artistas tinham que correr atrás e não dava mais pra ser apenas o registro de uma canção sendo tocada. Era mais. Tinha até Martin Scorcese dirigindo!
Surgia o Rei do Pop, o maior vendedor de discos da história (750 milhões não é pouco, não!), uma revolução na música, um negro ultrapassando a fronteira e, por que não, abrindo espaço pra toda uma geração que viria depois, incluindo a turma do hip-hop, hoje consumida também no “mundo dos brancos” graças ao crossover, à barreira rompida ali atrás por Michael Jackson.
Pô, o cara foi produzido por Quincy Jones! Fez – principalmente nos três primeiros discos, os dessa parceria – hits que animam qualquer festa até hoje. É quase uma regra. Se a pista começar a esvaziar é só soltar “Don’t Stop ‘Til Get Enough” que ela bomba de novo. E quem disser que nunca fez o “moonwalk” numa festinha - nem que seja de gaiatice – está mentindo.
Pura música de crioulo, digna de Marvin Gaye, Stevie Wonder, qualquer um desses gênios da soul music. Música de preto é que boa! Michael Jackson veio do meio deles. Aos 10 anos, cabelinho black power, já se destacava dentre os irmãos com The Jackson 5, ali entre as feras da Motown – o maior celeiro da música black. “ABC”, “I Want You Back”, “I’ll Be There”… um hit atrás do outro – junto com, dizem, uma surra paterna atrás da outra - até chegar a carreira solo no ano em que nasci, com o início da tal parceria com Quincy Jones
A medida que ia deixando de ser negro, começava a descida da ladeira. E, sinceramente, agora não me interessa – e não sei realmente se um dia me interessou – se ele tinha vitiligo, se dormia numa bolha, se vivia operando o nariz por (falta de) estética ou pelo desvio do septo nasal… isso é o de menos. Já branco o cara ainda continuava produzindo e veio com aquele clipe histórico, a mega produção “Black Or White”, talvez sua última música realmente boa, em “Dangerous”, disco que traz também a suingadinha “Remember The Time”.
Lembro quando o clipe estreou no Fantástico, trazendo o recém-astro Macaulay Culkin. Quando começou também a história das criancinhas. Tudo nunca explicado, tudo muito comentado. A medida que seu nariz mudava de formato, que seu rosto se deformava, novos boatos surgiam. E numa época em que a indústria das fofocas de celebridades ganha cada vez mais espaço, foi lá que Michael passou a figurar com mais intensidade.
Isso agora pouco me importa. Se o cara vendeu milhões, ganhou mais de uma dezena de Grammys, se construiu uma roda gigante no jardim de casa, se faliu, se virou uma figura bizarra, se seduziu criancinha, se saía de máscara, se pirou, se vivia a síndrome de Peter Pan… não tô nem aí. São muitas as especulações, nenhuma certeza. Loucura, doença, traumas de infância… o que me interessa num artista é o legado que ele deixa. A obra. A história.
Pô, o cara foi parceiro de Paul McCartney! Depois deu uma volta e comprou os direitos das músicas dos Beatles. E mais tarde ainda casou com a filha do Elvis! Mais pop impossível.
Tão pop que, mesmo agora, mostrou sua força quando anunciou para este ano sua nova e saideira turnê (“This Is It”, literalmente traduzido como “É Isso”) e teve os ingressos para os 50 shows esgotados em minutos. Mais de 700 mil ingressos vendidos em menos de uma hora!
Sua saída repentina de cena (essa, a definitiva) pode ter sido mais uma estratégia de marketing. Fechar a cortina antes que o fim do poço não apresente mais uma mola. Quem sabe ele não está vivo e só resolveu se esconder pra evitar a derrocada? Como Elvis Presley (seu ex-sogro), Jacko talvez também não tenha morrido. Foi só dar um tempo na Terra do Nunca.
É de madrugada. Já dormi e acordei de novo. A TV está ligada na CNN, agora com depoimentos de amigos, parceiros, fãs, até Uri Geller já andou falando (é o mesmo Uri Geller ou só homônimo?). Realmente é difícil acreditar. Tem mortes que a gente simplesmente não espera. Me dá uma sensação do tempo passando. Quando criança jamais poderia imaginar que um dia Dr. Roberto Marinho morresse. Que um dia Dercy Gonçalves, Clodovil não estivessem mais entre nós. Muita gente vai entender o que eu estou querendo dizer.
Quer dizer… talvez nem eu saiba. Tento me inspirar ouvindo as músicas que tenho no meu IPod. Confesso que não são muitas. Bem menos que Beatles, Marley, Dylan ou Stones. Mas aí vem “Rock With You” e é suingue puro.
Não sou um especialista em música, um profundo conhecedor. Sou apenas um curioso, um fã, um “público comum”. Que estava no Morumbi lotado no começo dos anos 90, na pista, com amigos do colégio, me acabando de dançar diante do Rei do Pop. O que me dá hoje, nesse fim de tarde/noite/madrugada esquisitos, um certo consolo. Eu o vi ao vivo.
Pronto. No meu ITunes agora toca “Billie Jean” e é simplesmente avassalador. Vou desligar o computador, jogar a insônia pro alto e dançar sozinho na sala.
BRUNO MAZZEO
Eu realmente não sei por onde começar nem que rumo dar a minha prosa. Mas a verdade é que eu não imaginava que a morte do ídolo pop fosse mexer tanto comigo. Aliás, eu não imaginava nem que ele fosse capaz de morrer. Sabe essas pessoas que a gente vê desde sempre e que quando “desaparecem” nos deixa uma sensação estranha? Sei lá, que uma página se virou também na nossa vida?
Quando pequeno era fascinado pelos clipes de “Thriler”, de “Bad”, sem saber que ali a música pop estava sendo revolucionada. Surgia o videoclipe, uma nova maneira de se vender música. A partir dali os artistas tinham que correr atrás e não dava mais pra ser apenas o registro de uma canção sendo tocada. Era mais. Tinha até Martin Scorcese dirigindo!
Surgia o Rei do Pop, o maior vendedor de discos da história (750 milhões não é pouco, não!), uma revolução na música, um negro ultrapassando a fronteira e, por que não, abrindo espaço pra toda uma geração que viria depois, incluindo a turma do hip-hop, hoje consumida também no “mundo dos brancos” graças ao crossover, à barreira rompida ali atrás por Michael Jackson.
Pô, o cara foi produzido por Quincy Jones! Fez – principalmente nos três primeiros discos, os dessa parceria – hits que animam qualquer festa até hoje. É quase uma regra. Se a pista começar a esvaziar é só soltar “Don’t Stop ‘Til Get Enough” que ela bomba de novo. E quem disser que nunca fez o “moonwalk” numa festinha - nem que seja de gaiatice – está mentindo.
Pura música de crioulo, digna de Marvin Gaye, Stevie Wonder, qualquer um desses gênios da soul music. Música de preto é que boa! Michael Jackson veio do meio deles. Aos 10 anos, cabelinho black power, já se destacava dentre os irmãos com The Jackson 5, ali entre as feras da Motown – o maior celeiro da música black. “ABC”, “I Want You Back”, “I’ll Be There”… um hit atrás do outro – junto com, dizem, uma surra paterna atrás da outra - até chegar a carreira solo no ano em que nasci, com o início da tal parceria com Quincy Jones
A medida que ia deixando de ser negro, começava a descida da ladeira. E, sinceramente, agora não me interessa – e não sei realmente se um dia me interessou – se ele tinha vitiligo, se dormia numa bolha, se vivia operando o nariz por (falta de) estética ou pelo desvio do septo nasal… isso é o de menos. Já branco o cara ainda continuava produzindo e veio com aquele clipe histórico, a mega produção “Black Or White”, talvez sua última música realmente boa, em “Dangerous”, disco que traz também a suingadinha “Remember The Time”.
Lembro quando o clipe estreou no Fantástico, trazendo o recém-astro Macaulay Culkin. Quando começou também a história das criancinhas. Tudo nunca explicado, tudo muito comentado. A medida que seu nariz mudava de formato, que seu rosto se deformava, novos boatos surgiam. E numa época em que a indústria das fofocas de celebridades ganha cada vez mais espaço, foi lá que Michael passou a figurar com mais intensidade.
Isso agora pouco me importa. Se o cara vendeu milhões, ganhou mais de uma dezena de Grammys, se construiu uma roda gigante no jardim de casa, se faliu, se virou uma figura bizarra, se seduziu criancinha, se saía de máscara, se pirou, se vivia a síndrome de Peter Pan… não tô nem aí. São muitas as especulações, nenhuma certeza. Loucura, doença, traumas de infância… o que me interessa num artista é o legado que ele deixa. A obra. A história.
Pô, o cara foi parceiro de Paul McCartney! Depois deu uma volta e comprou os direitos das músicas dos Beatles. E mais tarde ainda casou com a filha do Elvis! Mais pop impossível.
Tão pop que, mesmo agora, mostrou sua força quando anunciou para este ano sua nova e saideira turnê (“This Is It”, literalmente traduzido como “É Isso”) e teve os ingressos para os 50 shows esgotados em minutos. Mais de 700 mil ingressos vendidos em menos de uma hora!
Sua saída repentina de cena (essa, a definitiva) pode ter sido mais uma estratégia de marketing. Fechar a cortina antes que o fim do poço não apresente mais uma mola. Quem sabe ele não está vivo e só resolveu se esconder pra evitar a derrocada? Como Elvis Presley (seu ex-sogro), Jacko talvez também não tenha morrido. Foi só dar um tempo na Terra do Nunca.
É de madrugada. Já dormi e acordei de novo. A TV está ligada na CNN, agora com depoimentos de amigos, parceiros, fãs, até Uri Geller já andou falando (é o mesmo Uri Geller ou só homônimo?). Realmente é difícil acreditar. Tem mortes que a gente simplesmente não espera. Me dá uma sensação do tempo passando. Quando criança jamais poderia imaginar que um dia Dr. Roberto Marinho morresse. Que um dia Dercy Gonçalves, Clodovil não estivessem mais entre nós. Muita gente vai entender o que eu estou querendo dizer.
Quer dizer… talvez nem eu saiba. Tento me inspirar ouvindo as músicas que tenho no meu IPod. Confesso que não são muitas. Bem menos que Beatles, Marley, Dylan ou Stones. Mas aí vem “Rock With You” e é suingue puro.
Não sou um especialista em música, um profundo conhecedor. Sou apenas um curioso, um fã, um “público comum”. Que estava no Morumbi lotado no começo dos anos 90, na pista, com amigos do colégio, me acabando de dançar diante do Rei do Pop. O que me dá hoje, nesse fim de tarde/noite/madrugada esquisitos, um certo consolo. Eu o vi ao vivo.
Pronto. No meu ITunes agora toca “Billie Jean” e é simplesmente avassalador. Vou desligar o computador, jogar a insônia pro alto e dançar sozinho na sala.
BRUNO MAZZEO
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